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09 Fevereiro 2010

Maresia lança álbum: "Guerreiro do 3º Mundo"!



Mais um lançamento que vem confirmar a força da música independente e comprometida com a transformação.

Maresia, MC da cidade de Samambaia acaba de lançar seu 1 álbum intitulado 'Guerreiro do Terceiro Mundo', faixa do CD produzida a partir de sampler de Edson Gomes. O trabalho é uma verdadeira arqueologia da música brasileira, resgatando o ritmo e a musicalidade nacional, junto a boas levadas e forte conteúdo.

O rapper iniciou sua carreira em 1997 junto com seu irmão Rapadura; Após passar por diversos grupos como Consciência armada, PJL, Art'vistas, adquire vivência, maturidade e experiência para seguir em carreira solo.

Além da atuação como Rapper, Maresia é empreendedor. Gesta, dirige e vende produtos ligados a cultura e moda urbana na loja Sub-mundo Hip Hop na cidade de Samambaia, atuando como revendedor de grandes marcas.

1 - O CD Guerreiro do Terceiro Mundo vem sendo gestado a 3 anos. Qual a maior dificuldade encontrada para lança-lo e quais frutos veem sendo colhidos?

Umas das maiores dificuldades foi à falta de patrocínio. Os gastos com a produção e elaboração do álbum são altíssimos.
Gera certo desanimo quando você planeja lançar em um ano, porém o tempo passa, e lá se vão longos três anos, mas graças a Deus o sonho foi concretizado com o meu próprio suor. Os frutos são muitos: Se alguém escuta um som e esse som o faz refletir eu já estou recompensado pela vida toda, além da realização pessoal, um sonho realizado. Vários amigos participaram desse trampo entre eles: Rapadura, Nego Cartola, A fórmula, P J L, Dnac, Bravoz, Diautoria, Nego Dé, Nova Escola e Kiko Santana.

2 - A cerca da produção, inúmeras faixas são assinadas por seu irmão Rapadura, MC de grande expressão no cenário nacional. Infelizmente, grande parte de artistas, ligados ou não a cultura Hip Hop utilizam o mercado estadunidense, como norte ou modelo de produção, esquecendo assim a produção e musicalidade nacional. Conte-nos um pouco sobre os samplers utilizados e o que cada artista 'resgatado' representa pra você:

Samplers resgatando artistas do passado para o futuro como: Aguinaldo Timoteo, Roberto Carlos, Moacir Franco, Sidney Magal. Artistas que sempre representaram a nossa cultura em todo o mundo, mas com o passar do tempo o povo se esqueceu, porém continuam vivos nas canções. Eu tempo chegar ao menos em cinco por cento dos sentimentos que passaram.

3 - Quais estratégias foram elaboradas para divulgação e distribuição do álbum? Há previsão de festa de lançamento?

Estou utilizando os meios cabíveis na internet como: orkut, MSN, palcomp3. Porém pessoas como DJ Nego Gilson, G1 FM - Daher, DJ Nelson Ramos – Espaço do Rap e DJ Marquinhos da Smurphies colaboram bastante.
A DISTRIBUIÇAO estar sendo por meio das lojas: Submundo Hip Hop e Stylo Black e através dos fones: (61) 92825526 ou 86070276 ou 30397459. Estou esperando manifestações que venha a fortalecer a corrente do Rap sério, com muitos objetivos, porém sem patrocínios.

4 - Que vertente ou linha dentro do Rap o 'Guerreiro do Terceiro Mundo' segue?

GUERREIRO DO 3° MUNDO segue a linha mais protesto e resistencia, a exemplo de grupos antigos. Creio que é necessário ter caráter e identidade, saber o que estar falando; Não bastar fazer por fazer, tem quer ter proposta, mas também obras concluídas.

5 - A música 'São vários' tem a participação de inúmeros MC's do Distrito Federal. Conte-nos um pouco sobre esses grupos e que mensagem a música tenta transmitir.

Na canção ‘São Vários’ visei reunir grupos de varias cidades do DF integrando a ideologia com uma harmonia. Transmite uma mensagem que não importa onde você mora, a vontade de transformação é presente e nunca ira morrer.


6 - O Hip Hop em Samambaia, e em todo o DF tem enorme dificuldade de se articular. Deve-se isto também à própria conjuntura da região. Com a passagem mais cara do país e com o distanciamento cultural imposto pela criação de Brasília, que expulsou os trabalhadores do grande centro e os jogou em condições subhumanas a 20/50 km de distância. Como você enxerga o montante de dinheiro gasto nas festividades de 50 anos da capital do país, lembrando que 50 milhões foram destinados ao carnaval do Rio de Janeiro, recurso que os artistas locais não têm acesso. Qual maneira pode intervir e qual é o papel do Hip Hop nesta questão?

Primeiramente vejo que Samambaia é rica em cultura, mas não tem atuação constante ou sólida. Existem alguns pontos e alguns institutos, mas que não tem o poder aquisitivo para realizarem tudo que almejam. Os Mc’s, B.boys, B.girls, Dj´s e grafiteiros não tem uma organização, nem um local para se reunirem, nem apoio financeiro. As dificuldades não são só em articular o movimento, mas também em se firmarem no movimento ou em movimentos. A verba publica sempre é distribuída pra quem não precisa, é uma vergonha ver o analfabetismo, crianças subnutridas, idosos com uma lastima de aposentadoria, hospitais sem leitos, sem maquinas, mas o contraste vem com o gosto de impotência ao vermos as comemorações de Brasília ao extrapolar nos contratos de 500 mil reais ao contratar Xuxa ,Claudia leite. Sem contar à merda que vimos pela TV nos escândalos de menssaloes, dinheiro público em cuecas, meias, malas, panetones... Pra finalizar o ridículo ainda sujam envergonha o nome de Deus e dos nossos irmãos da nação brasileira. Nossa historia já vem manchada desde muito tempo. Basta! Não aos porcos corruptos.

7 - Como está e quais modificações ou ajustes devem ser postos para o crescimento do Hip Hop na região?

Para haver melhorias deve haver sensibilidades e pulso firme. Seriedade e atitude de ir ate o poder com objetivo. Tem que reunir a massa que é imensa e ter uma proposta, um projeto sério para que seja aprovado com remuneração pros demais combatentes.

8 - Quais grupos vem se destacando na região?

Vários grupos vêm nos trazendo orgulhos com o passar do tempo entre eles: A Fórmula, P J L, Justiceiros do Rap, Aborígine, Gury – gospel, dentre outros.

9 - Espaço aberto: Críticas, contatos...


E-mail: maresiarap@hotmail.com
Myspace: http://www.myspace.com/maresiamcartvista
Palcomp3: http://palcomp3.cifraclub.terra.com.br/maresiarap/
Comunidade no orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=25298203
Telefones: ( 61 ) 92825526 ou 86070276 ou 30397459

08 Fevereiro 2010

Sobrevivente de Auschwitz monta banda de rap!

Esther Bejarano, uma das últimas integrantes sobreviventes da orquestra de mulheres de Auschwitz, fez música a vida inteira. Agora ela uniu-se a uma banda de hip hop para manter viva a memória do Holocausto

O som é familiar: batidas rápidas, rimas austeras, vocais poderosos apoiados por vozes femininas de fundo. Ao que parece, hip hop padrão.
No entanto, parece haver alguma coisa errada: as letras – algumas são em iídiche, outras em hebraico, e até em italiano. E, além disso, há aquela voz. Sem dúvida é muito velha para vir de um artista de hip hop, não?

Sim, caso o ouvinte tenha sido criado no mundo de rap no estilo de gangues, repleto de astros cercados por auxiliares quase nuas, conforme se vê na MTV. Mas Esther Bejarano, uma das estrelas de um novo álbum curioso e convincente – e do documentário que o acompanhará e que está em fase de produção – nunca esteve na MTV. Ela é uma das últimas integrantes sobreviventes da Orquestra de Garotas de Auschwitz, que era obrigada a tocar enquanto trens cheios de judeus e ciganos chegavam ao campo. Agora, junto como os seus filhos, ela fez um CD com os rappers do grupo Microphone Mafia, de Colônia. Quem quiser pode chamar o estilo de hip hop Holocausto.
“Isso é sem dúvida algo um pouco diferente daquilo que normalmente fazemos”, disse a “Spiegel Online” a minúscula Bejarano, de 85 anos, referindo-se ao seu grupo Coincidence, que inclui a sua filha Edina e o filho Joram, e que normalmente toca músicas judaicas e antifascistas. “Mas eu sei que esse tal de hip hop é popular entre a juventude. Achei que se trabalhássemos juntos, os jovens poderiam aprender mais sobre o que aconteceu naquela época”.

O álbum, chamado Per La Vita, inclui músicas com tema de resistência como Desateur e Avanti Popolo. Mas ele foi remixado para incluir rimas criadas por Kutly Yurtseven e Rossi Pennino, do Microphone Mafia, uma dupla de hip hop que está em atividade desde o lançamento do seu álbum de estreia em 1994.

E ele conseguiu um modesto sucesso, sendo que uma das músicas do CD é atualmente a número dois em uma lista de sucessos musicais criada para promover a música pop em língua alemã. A banda está atualmente fazendo apresentações pela Alemanha, com várias datas já marcadas para fevereiro, incluindo um show em Berlim no dia 27.

Porém, de forma geral, o álbum atraiu exatamente aquele tipo de atenção que os artistas esperavam. O projeto originou-se como uma resposta à iniciativa neonazista de distribuição de música de direita em pátios escolares em toda a Alemanha. A Confederação dos Sindicatos Alemães (DGB) perguntou ao Microphone Mafia em 2007 se o grupo estaria disposto a lançar um CD próprio – versões em rap de músicas judaicas para que os professores as distribuíssem aos alunos.

“Que máfia”?
O DGB sugeriu que Yurtseven, filho de trabalhadores turcos que vieram para a Alemanha durante o Milagre Econômico do país, entrasse em contato com Bejarano. “Assim, eu telefonei”, contou Yurtseven no último domingo, durante um evento em Hamburgo para a promoção do projeto. “Quando eu me apresentei, fez-se um silêncio total na linha. A seguir ela perguntou: ‘Que mafia?’. No início foi muito estranho”, disse Yurtseven a Spiegel Online.

Um clipe breve do filme a ser lançado (ele será concluído em algum momento mais para o final deste ano) mostra uma Bejarano de expressão enigmática no momento em que soube o que Yurtseven fez com o seu material. “Isso não se parece nada com as minhas músicas”, disse Bejarano.

Porém, pouco depois esse grupo improvável percebeu que tinha esbarrado em algo interessante. “Eu de fato passei a perceber como a música é capaz de unir as pessoas – ela realmente rompe fronteiras”, diz Yurtseven.

A própria banda proporciona muitas evidências disso. A parceira de Yurtseven do Microfone Mafia, Rosário Pennino, é oriunda de uma família católica que, de forma similar, mudou-se para a Alemanha em uma época em que o país importava mão-de-obra para alimentar o rápido crescimento econômico do pós-guerra. Os dois juntaram forças no final da década de 80, em parte para falar sobre a experiência de ser estrangeiro na Alemanha.

“Pura zombaria”
De fato, foi o foco do Microphone Mafia no deslocamento social que fez do grupo um parceiro óbvio para Bejarano. No entanto, havia diferenças culturais a superar.

“Eles são gente muito boa, mas são meio caóticos”, diz Bejarano com uma risada, referindo-se aos seus parceiros hip hop. “Eles pulam bastante quando estão no palco. Eu lhes disse que talvez devêssemos reduzir um pouco esse ímpeto, mas as pessoas receberam o trabalho muito bem. Elas dançam e elogiam muito”.

Bejarano e a sua família pretendiam deixar a Alemanha nazista e mudar para a Palestina no início da Segunda Guerra Mundial, mas foram presos e enviados para um campo de trabalhos forçados não muito distante de Berlim, em uma cidade chamada Fürstenwalde Spree. Em 1943, quando tinha 18 anos de idade, ela foi deportada para Auschwitz. Bejarano conta que inicialmente foi obrigada a carregar pedras pesadas de um lado para outro de um campo. “No dia seguinte, tínhamos que carregar as pedras de volta”, recorda-se ela. “Era pura zombaria”.

Mas seis semanas depois ela ouviu dizer que as SS estavam procurando mulheres para uma nova orquestra. “Eu disse que era capaz de tocar acordeão, um instrumento que nunca tocara antes, mas eu sabia tocar piano”, conta ela. Os guardas do campo obrigavam a orquestra a tocar quando os trens descarregavam as vítimas destinadas às câmaras de gás.

“Muita coisa a fazer”
“Eu vi muitas coisas ruins e passei por experiências horríveis”, diz ela. “Mas o pior foi tocar quando os trens traziam pessoas para as câmaras de gás – e eu sabia para onde eles iam, e eles não tinham a menor ideia do que lhes esperava. Isso é algo que jamais esquecerei. Foi terrível”.

Bejarano acabou sendo enviada para o campo de concentração de mulheres em Ravensbrück, antes de escapar de uma marcha forçada, alguns dias antes do final da guerra. Os seus pais e a irmã morreram no Holocausto.

Desde então, ela dedicou a sua vida à música e a manter viva a memória do Holocausto. Ela visita regularmente escolas na Alemanha, onde conta a sua história com uma franqueza amigável. Tendo tocado durante anos na banda Coincidence, ela está longe de ser uma estranha aos palcos.

E agora Bejarano está na rota para tornar-se uma estrela do hip hop. “Nós pretendemos gravar um outro CD”, diz ela. “Temos muita coisa a fazer”.


Confira a capa e tracklist do álbum:




1. Schir LaSchalom
2. Avanti Popolo
3. Karli Kayin
4. To Sfaijo
5. Zu ejns, zwej, draj
6. Die "Judenhure" Marie Sanders
7. Adama, admati
8. Viva La Verita
9. Desateur
10. Querida
11. Bella Ciao



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